Segundo Gui Bonsiepe, o papel do projetista não se limita à criação de soluções formais ou funcionais; ele deve desenvolver uma sensibilidade ética e cultural, compreendendo as necessidades concretas de um grupo social e oferecendo respostas materiais que dialoguem com o sistema simbólico e cultural desse grupo. Nas aulas exemplificou essa ideia ao citar o caso da instalação de privadas em uma comunidade indígena, cuja cultura tradicional faz uso da floresta para suas necessidades fisiológicas. De modo semelhante, Herman Hertzberger defende uma arquitetura participativa e flexível, que reconheça o usuário como agente ativo na configuração do espaço. Ele critica a padronização e a desumanização dos ambientes, defendendo soluções que estimulem apropriação, afeto e responsabilidade compartilhada.Um exemplo citado por Hertzberger é o da sala de estudantes do MIT, em que os alunos organizaram o ambiente de acordo com suas necessidades transformando o espaço em um lugar de convivê...
Vilém Flusser desloca o olhar sobre o design, tirando-o do campo meramente estético ou técnico e inserindo-o em uma reflexão filosófica, ética e social. O autor parte da origem etimológica da palavra “objeto”, que vem de ob-jectum , “aquilo que está no caminho”. A partir dessa ideia, entende-se que todo objeto é um obstáculo, algo que se interpõe entre nós e o mundo. Quando transformamos esse obstáculo em algo útil, nasce o objeto de uso, criado para afastar outros obstáculos do caminho humano. Entretanto, Flusser revela a contradição fundamental do design: ao mesmo tempo em que criamos objetos para facilitar a vida, acabamos nos aprisionando por eles. Dependemos dos utensílios, ferramentas e tecnologias que produzimos, mas também nos tornamos limitados por eles. Os objetos de uso que herdamos de gerações anteriores são resultados de um longo processo de configuração cultural, e cada nova criação traz consigo uma responsabilidade. Quanto mais um designer ou inventor foca apenas na apar...